<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900</id><updated>2012-02-13T07:19:44.973-08:00</updated><title type='text'>Projeto  social "EU SOU"</title><subtitle type='html'>O Projeto visa (re)construir a identidade de crianças e jovens   através da arte.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-7966745853690838527</id><published>2011-08-29T12:07:00.000-07:00</published><updated>2012-01-09T05:20:55.167-08:00</updated><title type='text'>NO SOLO DA ARTE</title><content type='html'>Quando a arte está distante de nós, seus efeitos não se refletem apenas na perda intelectual dos indivíduos ou de uma sociedade, perde-se algo talvez mais valioso, que é a subjetividade que identifica e fortalece os sujeitos. Os efeitos danosos dessa distância tendem a se manifestar fortemente também no tempo e na matéria. O tempo torna-se estimulante da ansiedade, já que o prazer, torna-se uma meta a ser conquistada o mais rapidamente possível. A matéria, torna-se promessa de solução para a conquista desse tal prazer, que por ser coisa, em pouco tempo estará imperfeita, incompleta e superada por um novo objeto.O capitalismo talvez seja a única instituição que serpenteia todas as classes, vendendo a ilusão de que o consumo é a ferramenta da conquista, um medicamento para todos os males. A reboque ele vem desenvolvendo um outro movimento ilusório, um movimento de busca pela perfeição com promessas de “grande cura” para todos. Na prática, nos mantemos então todos “democraticamente” doentes, já que não há perfeição.&lt;br /&gt;Não é diferente em qualquer classe social. Escuto de crianças muito pobres e de crianças muito ricas uma mesma frase: &lt;br /&gt;Quero que fique perfeito.&lt;br /&gt;Entre as crianças do projeto “Eu sou”, não é diferente. A estética da sociedade do asfalto, ou seja, dos que estão fora da favela, reina soberana sobre a pobreza, a sujeira, a violência, a falta de educação, a falta do privado. Tudo é escancaradamente público nas favelas, como num grande reality show.&lt;br /&gt;O projeto é um espaço de arte; lidamos com estéticas, mas para as nossas crianças eles se vêm incompetentes para produzirem alguma estética que considerem "louvável". Paredes sem reboco, valas abertas, lixo...será que podem competir com o bem pintado? &lt;br /&gt;Bonito é piso de porcelanato...lisinho, disse um adolescente quando discutíamos com um grupo os conceitos de belo e feio.&lt;br /&gt;Precisávamos rever esses olhares com urgência. Começamos então estimulando o olhar dos nossos alunos sobre eles mesmos. Para isso, trouxemos uma proposta associada a uma técnica que consiste em que cada um se imagine semente lançada sobre o solo da arte. Em seguida, deitados sobre um grande papelão cada um procurou uma posição que fosse a representação do próprio renascimento, agora contaminados por esse novo solo.&lt;br /&gt;Contornados seus corpos ou parte deles foram então recortados e preenchidos por cada um com todos os materiais que pudessem representar a idéia de renascimento através da arte.&lt;br /&gt;Terminados os mais de oitenta contornos, montamos uma instalação em forma de uma grande mandala tridimensional no pátio da FQM (empresa patrocinadora do projeto), onde durante uma semana recebeu a visitação de funcionários e visitantes. &lt;br /&gt;Após essa intensa relação entre os alunos com seus próprios registros criativos, promovemos uma nova etapa: A revisão da qualidade do olhar que todos nós estabelecemos com o entorno; com o que nos envolve. Acreditando que o desenvolvimento de um olhar criativo sobre um pequeno espaço, pode ser uma importante colaboração para se enxergar o extraordinário dentro dele e em seguida ampliá-lo para fora dele. Voltamos então ao piso, não o de porcelanato, mas o piso comum, cimentado; em geral com remendos, manchas, rachaduras, texturas... Com um pequeno grupo de alunos, todos munidos de pequenas molduras retráteis de cartolina preta, nos debruçamos sobre um metro quadrado desse piso, emoldurando pequenos pedaços, criando verdadeiros recortes de olhar sobre o “imperfeito”. Na medida em que emoldurávamos, todos descobriam diálogos plásticos entre cinzas, ranhuras, pingos ou manchas.Caramba, são quadros! Muitos quadros! Disse um dos alunos.Então eu disse: Olha que só visitamos um metro quadrado...imagina todo esse piso...e essas paredes?Saímos em seguida caminhando apenas guiados pelo olhar que, por estar “emoldurado”, fazia com que as chamadas “imperfeições”, quando recortadas, fossem retiradas do contexto que as nomeava.Durante esse passeio estético, um homem que varria um corredor nos perguntou o que era aquilo. Respondemos:Estamos procurando beleza nas coisas que costumamos chamar de feias.   .&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-7966745853690838527?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/7966745853690838527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2011/08/no-solo-da-arte.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/7966745853690838527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/7966745853690838527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2011/08/no-solo-da-arte.html' title='NO SOLO DA ARTE'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-4396299276387935888</id><published>2011-06-29T15:46:00.001-07:00</published><updated>2011-06-29T15:50:23.287-07:00</updated><title type='text'>Simbioses</title><content type='html'>São muitos olhares dissimulados, por vezes com aparência arrogante e de pouco caso, ou mesmo atitudes agressivas que, no entanto, escondem uma infância propositalmente “engessada”.&lt;br /&gt;Engessar-se, pode ser um recurso, uma proteção quando uma estrutura se encontra débil ou já rompida. Pode ser também, uma maneira de manter a infância distante delas já que esse período pode ser fragilizador para crianças inseridas num meio repleto de injustiças e violências.&lt;br /&gt; Em condições tão adversas como as que muitas vivem, viver a própria  infância é mesmo um estado de perigo, porque pode vitimá-las através das brechas de ingenuidade e pureza que naturalmente caracterizam esse período. &lt;br /&gt;Ser criança num meio social destituído de condições ao menos razoáveis de acolhimento e expressão, pode fazer desse indivíduo um alvo fácil do sofrimento. Dissimuladas, ou vivendo como adultos prematuros, essas crianças se afastam do criativo, escondem desejos ou se deixam levar pela ousadia de um sonho. &lt;br /&gt;Tudo que se configura abstrato para essas crianças parece ampliar a insegurança; por isso elas se lançam na concretude.&lt;br /&gt;Em meio às muitas estratégias de sobrevivência social, uma das constantemente observadas é a simbiose. &lt;br /&gt;Durante os primeiros contatos com o projeto, nota-se que algumas crianças parecem não chegar sozinhas às aulas, formam como que “duplas de apoio”. Decidem e escolhem sempre juntas durante o processo das aulas, além de (é claro), construções, desenhos, esculturas e pinturas iguais. A forte sensação que temos sobre esse comportamento é:&lt;br /&gt;“Se eu sou meia pessoa para escolher e decidir, me junto a outra meia pessoa e, quem sabe assim, eu possa construir uma pessoa inteira?”.&lt;br /&gt;Enfraquecidos pela constante inferiorização e desvalorização de seus potenciais, as vítimas desse sistema lutam por suas sobrevivências articulando associações, como se pudessem realizar formações genuinamente individuais “de dois”. Assim agem nossos pequenos simbióticos, compactuando vontades aparentemente tão iguais. &lt;br /&gt;Dessa íntima relação “dois em um”, por vezes “três em um” ou mais, não podemos esperar opiniões ou desejos individuais. Até a simples escolha de uma cor ou um formato de papel passa por um filtro de olhares, que pode autorizar ou negar, antes de uma decisão final.  &lt;br /&gt;Os produtos que colhemos nessas condições são quase que unicamente formações estereotipadas; possivelmente pela impessoalidade dos modelos prontos. &lt;br /&gt;Com o tempo, a característica sedutora da arte faz romper essas defesas, permitindo a essas crianças o prazer das descobertas e consequentemente o contato com o legítimo. &lt;br /&gt;A partir desse natural fortalecimento da legitimidade, onde as particularidades de cada indivíduo são consideradas e aceitas, notamos o rompimento dessas “relações de apoio” (simbioses), dando assim inicio a construção de suas verdadeiras identidades.&lt;br /&gt;Ironicamente, com o fortalecimento da auto-estima nessas crianças, a arte abandona o lugar da fragilidade sentida por elas inicialmente para se tornar um recurso de defesa frente a essa mesma sociedade que vinha dificultando as suas existências.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-4396299276387935888?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/4396299276387935888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2011/06/simbioses.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/4396299276387935888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/4396299276387935888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2011/06/simbioses.html' title='Simbioses'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-6492020749597438613</id><published>2011-03-27T13:28:00.000-07:00</published><updated>2011-03-27T16:51:29.119-07:00</updated><title type='text'>EXPERIÊNCIA ÚNICA</title><content type='html'>Não sei se foi a arte ou a mistura social promovida dentro do Centro cultural Banco do Brasil que trouxe mais benefícios para os nossos jovens durante aquela visita. Quem sabe os dois, já que em algum ponto arte e diversidade sempre convergem.&lt;br /&gt;A verdade é que não podíamos perder aquela oportunidade. Havia muita coisa em comum para ser descoberta pelos nossos alunos nas gravuras e desenhos de Escher.&lt;br /&gt;Embarcamos então no ônibus fretado pela Farmoquímica (empresa patrocinadora do projeto no Jacarezinho)rumo ao CCBB. Ao chegarmos lá, as salas de exposição estavam tão cheias que tivemos que esperar no hall dos elevadores junto a um grupo de alunos de uma escola da elite carioca. Percebemos então, que ali já começava a visitação.&lt;br /&gt;Os jovens do projeto pouco saem de suas comunidades, talvez por isso seus olhares pareciam ter encontrado seus pares vindos de outro planeta. Alguns minutos de exploração visual, contemplação, insegurança e por fim entraram os dois grupos quase juntos.&lt;br /&gt;Já na primeira sala tentei mostrar alguns aspectos que julgo importantes na obra do artista, mas de repente percebi estava atuando como guia para pessoas que não faziam parte do projeto. Os “cabelos que balançam” de algumas alunas da tal escola, roubaram a cena do Escher e a minha consequentemente.&lt;br /&gt;Calma Helio, não foi em vão! Tive que repetir várias vezes essa frase no pensamento, quase como um mantra. &lt;br /&gt;Só percebi a importância daquele encontro sócio-cultural algumas horas depois. De qualquer forma, Escher não se manteve em segundo plano por muito tempo. Ufa! Nas salas seguintes ele conseguiu capturar os olhos sensíveis da galera. O encontro agora parecia ser com eles mesmos. Seus olhares iam sendo instigados para viajarem e descobrirem suas múltiplas perspectivas. A metamorfose, o dentro, o fora e a infinitude da fita de Moebius, apresentaram novos caminhos e possibilidades de transformação e conquista.&lt;br /&gt;Quando voltávamos para a Farmoquímica, o lanchinho dentro do ônibus e um silêncio inesperado parecem ter ajudado a acomodar dentro deles aquela experiência única.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-6492020749597438613?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/6492020749597438613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2011/03/experiencia-unica.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/6492020749597438613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/6492020749597438613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2011/03/experiencia-unica.html' title='EXPERIÊNCIA ÚNICA'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-1076259889131439954</id><published>2010-12-05T12:34:00.000-08:00</published><updated>2010-12-10T05:54:40.327-08:00</updated><title type='text'>PRIMEIRO, O AUTOCONHECIMENTO</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“O terreno da aprendizagem só se torna fértil se for preparado com autoconhecimento.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Estamos vivendo um importante período, em que os governantes parecem estar, enfim, preocupados com a reabilitação social e profissional de grupos que se desenvolveram a margem da sociedade constituída ao longo de décadas de descaso.&lt;br /&gt;Cada vez mais, fala-se de projetos para inclusão social. Projetos que preparem os jovens moradores dessas comunidades marginais para o mercado de trabalho. Como principal meta, quer-se produzir "ocupação profissional" especialmente para as áreas ocupadas pelas UPPS.&lt;br /&gt;Sem dúvida, são fundamentais essas ações para que haja verdadeiramente resgate social. No entanto, é importante pensar que, em termos educacionais, não há possibilidade de se transformar uma informação em conhecimento se não houverem experiências anteriores que tenham dado partida ao autoconhecimento.&lt;br /&gt;Há seis anos, uma empresa carioca(Farmoquímica), situada no bairro do Jacaré, acreditou na importância desse principio como base para o resgate social e passou a patrocinar o projeto "Eu sou", possibilitando a uma equipe de arte-educadores atenderem a 120 crianças e jovens por ano, moradores da comunidade do Jacarezinho.&lt;br /&gt;Nós da equipe do projeto, por termos alcançado resultados tão surpreendentes, não temos dúvida de que é através da arte que um indivíduo, de qualquer idade, pode se auto reconhecer.&lt;br /&gt;Reconhecer-se promove inevitavelmente um contato com a própria potencialidade e com a presença dela, as informações parecem encontrar "liga" e se transformam em conhecimento.&lt;br /&gt;Que a arte é promotora do autoconhecimento e valorizadora da potencialidade dos indivíduos, isso é certo. Não é, portanto, por acaso, que o esporte (por suas afinidades com a arte), a música e as artes plásticas, costumam produzir tão bons resultados no campo do resgate social.&lt;br /&gt;Um bom exemplo disso, são os efeitos positivos obtidos pelo "Afroreggae", que há tantos anos vem retirando jovens da criminalidade.&lt;br /&gt;Mas retiram como? Ensinando técnicas musicais?&lt;br /&gt;Não, promovendo principalmente o contato dos jovens com eles mesmos e assim fazendo emergir as suas potencialidades.&lt;br /&gt;Caminhos como os trilhados pelo "Afroreggae" ou como o projeto "Eu sou" que têm a arte como instrumento para suas ações, podem ter formas distintas de atuação, mas na verdade têm objetivos comuns: o fortalecimento do "eu". &lt;br /&gt;Sob esse princípio, portanto, a tão desejada "ocupação profissional" só e capaz de ocorrer se houver um trabalho educacional que envolva, paralelamente, conhecimento profissional e autoconhecimento, ou não haverá terreno fértil para o desenvolvimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-1076259889131439954?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/1076259889131439954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/12/primeiro-o-autoconhecimento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/1076259889131439954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/1076259889131439954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/12/primeiro-o-autoconhecimento.html' title='PRIMEIRO, O AUTOCONHECIMENTO'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-2853173089836481580</id><published>2010-09-28T20:08:00.000-07:00</published><updated>2010-09-28T20:28:24.103-07:00</updated><title type='text'>MÁSCARAS</title><content type='html'>Num determinado momento do projeto todos nós orientadores nos dedicamos à produção de máscaras modeladas sobre o rosto de nossos alunos. Um especial afeto se desenvolve entre orientadores e alunos. Segundo Andrea Spiegel, uma das orientadoras, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“o rosto tem a marca da identidade, mas sinto que vamos para além disso, pois tocar um rosto com reverência traz a dimensão do sagrado”.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-2853173089836481580?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/2853173089836481580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/09/mascaras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/2853173089836481580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/2853173089836481580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/09/mascaras.html' title='MÁSCARAS'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-4908785286721859007</id><published>2010-08-07T11:52:00.000-07:00</published><updated>2010-10-19T06:49:05.520-07:00</updated><title type='text'>ROMPENDO A ANESTESIA</title><content type='html'>Minha cabeça anda inquieta e feliz pelo que nós da equipe temos perseguido. Tenho pensado muito na importância dessa constante reflexão que todos nós arte-educadores precisamos fazer já que é muito tênue a linha que separa o estabelecido e a arte (o ordinário e o extraordinário).&lt;br /&gt;Precisamos mesmo ficar atentos para as diferenças entre, por exemplo, o conforto e a inquietação ou mesmo um padrão de certezas e a ousadia viva que, generosamente, nos oferecem as dúvidas.&lt;br /&gt;Nosso trabalho é assim mesmo, entendemos uma parte e a outra nos aguça para continuarmos tentando.&lt;br /&gt;No caso das crianças que atendemos no projeto, suas histórias são repletas de incompreensões, violências, injustiças, infelizmente potencializadas pela distância que elas vivem do imaginário, do sonho, do abstrato. Por isso, é comum assistirmos  sensibilidades anestesiadas, tornando os primeiros contatos com a arte sempre difíceis, repletos de resistências.&lt;br /&gt;Cada uma que ajudamos a romper essa barreira transforma-se no grande estímulo para buscarmos a multiplicação dessa conquista.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Há um ensaio do filósofo Paul Valéry sobre os mitos, que ele conclui assim:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“O que seríamos nós sem o recurso daquilo que não existe? Pouca coisa, e nossos espíritos, desocupados, tenderiam a fenecer se as fábulas, os enganos, as abstrações, as crenças e os monstros, as hipóteses e os pretensos problemas da metafísica não habitassem com seres e imagens sem objetos nossas profundezas e nossas trevas naturais”.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-4908785286721859007?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/4908785286721859007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/08/o-projeto-um-espaco-de-constante.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/4908785286721859007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/4908785286721859007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/08/o-projeto-um-espaco-de-constante.html' title='ROMPENDO A ANESTESIA'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-688602812484078994</id><published>2010-07-21T12:28:00.001-07:00</published><updated>2010-08-10T15:06:44.582-07:00</updated><title type='text'>O MEDO DO ABSTRATO</title><content type='html'>Sentimentos, assim como tudo que se configura abstrato, se desenvolvem no imensurável e é essa capacidade de se adaptar a qualquer medida, que faz deles potenciais promotores tanto do prazer quanto da dor, com intensidades e tamanhos que sempre irão variar dependendo do valor e da medida que é dada a eles.&lt;br /&gt;Talvez seja pela riqueza de possibilidades existentes nesse espaço sem medida que, para não se aventurarem no ilimitável,muitos procuram realizações concretas.&lt;br /&gt;No projeto, encontramos crianças e jovens que parecem se assegurar em pensamentos e ações concretas para melhor lidarem com suas inseguranças. Evidentemente, o universo concreto, apesar de aparentemente mais seguro do que o abstrato, é sem dúvida mais limitador das ações criativas, no entanto, não se configura um impedimento para a arte, já que mesmo as "coisas" que compõem o universo visível, podem se constituir simbólicas. E é também com símbolos que a linguagem artística pode surgir&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-688602812484078994?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/688602812484078994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/07/o-medo-do-abstrato.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/688602812484078994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/688602812484078994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/07/o-medo-do-abstrato.html' title='O MEDO DO ABSTRATO'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-8705832265778393387</id><published>2010-05-16T11:15:00.000-07:00</published><updated>2010-05-22T15:30:21.733-07:00</updated><title type='text'>INTELIGÊNCIA EMOCIONAL</title><content type='html'>O projeto “Eu sou” e “Eu quero” trabalha para o desenvolvimento dessa inteligência entre os grupos de crianças e jovens que atende.&lt;br /&gt;Através de propostas artísticas específicas, buscamos estimular o autoconhecimento nas nossas crianças e, só depois de instalada essa conquista, promovemos o “ir de encontro ao outro”, comumente chamado de socialização. &lt;br /&gt;Percebemos que essas relações interpessoais só passam a ser realmente produtivas (portanto capazes se promover desenvolvimento a todos os envolvidos), quando o indivíduo é capaz de se deslocar e se “colocar no lugar do outro”.&lt;br /&gt; É dessa soma: autoconhecimento e percepção do outro (em suas diferenças e semelhanças), que se produz um campo possível de desenvolvimento para o que podemos chamar de inteligência emocional.&lt;br /&gt;Como as questões relacionadas com a subjetividade são as grandes  colaboradoras do crescimento dessa inteligência, é no criativo e na arte que vamos encontrar a grande potência; a fonte desse saber e desenvolver. No entanto, a educação instalada vem priorizando as conquistas técnicas e tecnológicas, tratando-as como únicas para a construção de um “indivíduo idealizado”. Pessoas vêm sendo pasteurizadas no máximo em “grupos iguais”, enquanto  novas sociedades (tanto as afetivas quanto as profissionais) vêm se unindo às diferenças pelos mais variados motivos, inclusive para não se repetirem simplesmente e indefinidamente.&lt;br /&gt;Há uma urgência na revisão do papel e importância da arte dentro dos meios que se dizem promotores dessa “formação”, para que esses (meios educacionais), não ampliem ainda mais a distância e o antagonismo que vêm se estabelecendo entre eles e essa nova sociedade que ganha forma.&lt;br /&gt;Não acredito em educação sem a arte, assim como não acredito em crescimento sem um olhar diferenciado. Não há inteligência emocional sem o criativo e a particularidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-8705832265778393387?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/8705832265778393387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/05/inteligencia-emocional.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/8705832265778393387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/8705832265778393387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/05/inteligencia-emocional.html' title='INTELIGÊNCIA EMOCIONAL'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-7935050934227352314</id><published>2010-05-14T06:27:00.000-07:00</published><updated>2010-05-24T18:33:02.692-07:00</updated><title type='text'>UMA CASA QUE ME (RE)CONSTRUA</title><content type='html'>“Ao construir essas paredes, protegê-las por um teto, abrir janelas, portas e às vezes até colocar dentro dela móveis, objetos e pessoas, eu me reconstruo”.&lt;br /&gt;                                                               Criança imaginária&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;O contato de um indivíduo com a arte parece só ganhar importância quando o seu criativo apresenta contornos de linguagem. Talvez somente depois da criação e o desenvolvimento de códigos, se estabeleçam verdadeiramente os primeiros vínculos entre o indivíduo e a arte.&lt;br /&gt;Pessoalmente, só nomeio como arte, produtos ou ações artísticas que  transponham o óbvio e consequentemente me façam pensar. Portanto, no universo artístico infantil, aquelas tradicionais produções recheadas de casinhas com chaminés, flores, árvores e morros redondos aquecidos por um sol com carinha, são na verdade a construção de um desafio; obstáculos colocados entre o indivíduo e a arte, que nós arte-educadores precisamos ajudar a transpor. &lt;br /&gt;Sempre acreditei que, somente quando estereótipos perdem a força e são substituídos por resultados particulares, genuínos, é que se inicia um processo verdadeiramente expressivo. No entanto, o contato intensivo, que passei a ter, nesses últimos anos, com crianças “desnutridas de si mesmas”, como é o caso de muitas que atendemos no projeto, me fez reavaliar o olhar e o pensar a respeito.&lt;br /&gt;Percebi que elementos típicos da representação estereotipada, como casinhas, flores, sóis e corações podem na verdade ir muito além da linguagem vazia e previsível que eu preconceituava, para se constituírem como elementos altamente simbolizadores de experiências vividas ou desejadas por essas crianças e jovens.&lt;br /&gt;Quando essas crianças chegam ao projeto, a grande maioria jamais teve contato com outra linguagem que não seja com aquela em que se tentam conquistas básicas e concretas: uma linguagem de sobrevivência, de subsistência. Portanto, esperar uma relação dessa criança com um universo simbólico mais rico, ou seja, mais criativo pode ser no mínimo  prematuro para não dizer irreal. O que acredito que se precisa rever e reconsiderar é que elementos comuns e aparentemente óbvios como as simples  casinhas, podem conter simbolicamente muito do universo de experiências e desejos, tendo como prioridade o acolhimento e a proteção de quatro paredes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-7935050934227352314?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/7935050934227352314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/05/uma-casa-que-me-reconstrua.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/7935050934227352314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/7935050934227352314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/05/uma-casa-que-me-reconstrua.html' title='UMA CASA QUE ME (RE)CONSTRUA'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-7100937087789976528</id><published>2010-01-04T11:36:00.000-08:00</published><updated>2010-01-04T11:37:35.222-08:00</updated><title type='text'>A ARTE COMO FORMA DE CONTATO</title><content type='html'>Cristina sempre foi silenciosa, até mesmo um pouco tímida, mas nunca resistiu às possibilidades expressivas da arte como fazem muitos jovens. Aos onze anos se inscreveu sozinha no projeto “Eu sou”. Enquanto isso, sua mãe ficava na fila para consultas médicas que eram realizadas dentro da Obra social que acolhe esse núcleo do projeto.&lt;br /&gt;Nunca conseguimos descobrir se sua mãe era só hipocondríaca ou se realmente sofria de alguma outra doença. A verdade é que todas as vezes que conseguimos fazer contato com ela, o diálogo que conseguíamos estabelecer sempre percorria os meandros da dor, da doença, da impossibilidade e do fim. Depressiva, posso afirmar que sim, a mãe de Cristina era. Algumas vezes surgiu “pela metade”, se esgueirando a meio corpo na porta da sala de aula. Em geral vinha chamar a filha para ir embora antes da hora, porque não se sentia bem, ou porque precisava de um remédio, fazer um exame ou qualquer outro procedimento médico.&lt;br /&gt;Nas reuniões que promovemos com os pais, a mãe da Cristina esteve presente uma única vez. Nesses encontros, costumamos ocupar a maior parte do tempo com alguma prática e a partir dela desenvolvemos uma conversa informal com os participantes. Lembro-me que ela fez um cestinho vazio de argila e  preferiu não pintar apesar das tantas cores em potes à sua volta. Não falou nada durante a modelagem, muito menos depois de terminada. Apesar de um olhar empobrecido e esvaziado como era sua peça de argila, a mãe de Cristina experimentou algum “contato”, expressando-se por intermédio de seu cesto vazio.    &lt;br /&gt;Ao contrário de sua mãe, Cristina sempre reproduziu a riqueza de sua imaginação através de todas as técnicas e propostas que foram apresentadas durante os oito meses que participou do projeto.&lt;br /&gt;Acredito que era através dos consecutivos discursos sobre o próprio fim, que a mãe se fazia representar constantemente para a filha, mas ao mesmo tempo, sem saber, ela oferecia argumento para a produção artística de sua filha. A morte havia se tornado para Cristina uma linguagem para a sua arte e um elo de comunicação possível entre ela e sua mãe.&lt;br /&gt;Alguns de seus trabalhos apresentavam de forma quase descritiva o tema da morte através de cemitérios, túmulos ou figuras horizontais. Por vezes  utilizava outros elementos sem relação direta, apenas simbólica  com o tema, no entanto não havia morbidez, ou fixação na morte como fim em si. Havia na verdade, uma espécie de relação com o começo de algo, que poderia vir a ocorrer, caso ela conseguisse alcançar a mãe. Percebia-se a presença em praticamente todas as suas produções, do desejo e da impossibilidade desse contato.&lt;br /&gt;A beleza contida nos trabalhos de Cristina, era em grande parte reforçada pela particularidade de sua linguagem. Essa menina utilizou-se de variados recursos técnicos para representar a distância e o ruído que constantemente inviabilizava seu contato com a mãe.&lt;br /&gt;Seus desenhos, pinturas e monotipias sobre papel, depois de cuidadosamente tratados, eram também cuidadosamente cobertos por camadas de tinta ou de giz. No entanto, observava-se que essas camadas nunca cobriam totalmente a primeira etapa de seus trabalhos, pareciam mesmo ter a intenção de deixar vestígios. &lt;br /&gt;É comum assistirmos crianças cobrirem inteiramente seus movimentos iniciais com tintas carregadas de intenção destrutiva, no entanto, no caso de Cristina era diferente, não havia um gestual agressivo que nos fizesse pensar nessa possibilidade. Ela apenas “sepultava” suas obras com o auxílio de lápis de cera branco ou finas camadas de giz, carvão ou de aquarela. Esses materiais eram escolhidos por ela, possivelmente porque cobrem, mas não escondem.&lt;br /&gt;É sempre uma grande oportunidade, para nós arte-educadores,  identificamos  os “contatos” criados por alguns alunos com o mundo. Como privilegiados espectadores de algumas dessas “conversas”, acredito já ser bastante, oferecermos recursos que promovam a ampliação do vocabulário criativo de nossos atendidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-7100937087789976528?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/7100937087789976528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/01/arte-como-forma-de-contato.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/7100937087789976528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/7100937087789976528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2010/01/arte-como-forma-de-contato.html' title='A ARTE COMO FORMA DE CONTATO'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-4162542576961341981</id><published>2009-10-29T16:40:00.000-07:00</published><updated>2009-11-06T16:05:32.397-08:00</updated><title type='text'>APROXIMAÇÃO AO LEGÍTIMO</title><content type='html'>Na evolução do projeto há um momento em que, desprendidos do comprometimento de produzirem "coisas certas", "desenhos bonitos" e outros estereótipos, as crianças e jovens participantes entram efetivamente em contato com a arte e com o que na verdade mais interessa a todos nós orientadores: a aproximação delas à elas próprias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditamos que só mesmo a partir do autoconhecimento, é possivel serem feitas escolhas realmente legítimas. E são justamente essas escolhas legítimas,que podem ser fundamentais, para que se promova importantes mudanças de direção na vida de muitas crianças.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, nas primeiras aulas de um dos grupos do projeto, um menino de 9 anos falou com orgulho a um dos orientadores que assim que crescesse um pouco mais queria ser bandido. Como nós da equipe, não acreditamos em lições de moral e discursos de boa conduta, o orientador escutou com atenção, fazendo apenas uma pequena ressalva, lembrando ao menino, que ele ainda era muito jovem para fazer uma escolha. Fosse essa escolha tornar-se bandido, enfermeiro, advogado, carpinteiro, médico, soldado, professor ou mecânico, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espera um pouco! disse o professor. Acho que o projeto ainda vai te ajudar a escolher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois meses depois, esse mesmo menino disse baixinho ao professor num canto reservado da sala:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mudei de idéia... acho que eu quero mesmo é ser professor de artes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-4162542576961341981?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/4162542576961341981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2009/10/aproximacao-ao-legitimo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/4162542576961341981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/4162542576961341981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2009/10/aproximacao-ao-legitimo.html' title='APROXIMAÇÃO AO LEGÍTIMO'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-8284064095813094990</id><published>2009-07-06T07:48:00.000-07:00</published><updated>2009-07-09T14:46:29.576-07:00</updated><title type='text'>IMAGINAÇÃO e VULNERABILIDADE</title><content type='html'>Observa-se especialmente em crianças de 2 a 6 anos, que elas realizam constantes exercícios de adequação entre as características essencialmente livres com as quais elas vêm ao mundo e as limitações impostas por esse mesmo mundo ao qual ele tenta fazer parte. Para facilitar essa adequação, a imaginação promove a fantasia que por sua vez se desenvolve como uma fonte de fortalecimento e apoio, para que possa ocorrer a acomodação desses opostos.&lt;br /&gt;As crianças e jovens que atendemos no projeto, demonstram em sua grande maioria um notável comprometimento com esse período. Consequentemente também, apresentam sérias dificuldades com limites. Em geral, essas crianças são extremamente reduzidas dentro dos espaços possíveis de atuação, a ponto de não se reconhecerem competentes, ou vivem tão sem medida a ponto de não considerarem as fronteiras do respeito por sigo mesmas e pelo outro.&lt;br /&gt;A violência e o desrespeito a que são submetidas desde bem pequenas, fazem com que elas priorizem atitudes de defesa contra o mesmo meio que as violenta e desrespeita. Experiências com o criativo, como: fantasiar, criar personagens, escutar estórias, são fundamentais para o desenvolvimento saudável de indivíduos em formação, no entanto, para essas crianças, essas experiências deixam de ser recursos de apoio para se transformarem em  ações autofragilizadoras. &lt;br /&gt;Ao se sentirem vulneráveis dentro deste universo permeado pela violência, elas se escudam com os mesmos mecanismos que as violentam constantemente.&lt;br /&gt; O que pensar?&lt;br /&gt;            Talvez haja respostas ou ao menos material para se refletir sobre isso num outro universo: o universo daqueles que têm oportunidade de criar e viver fantasias que lhes permitam criar por exemplo, um amigo imaginário, uma "conversa" com bonecos, um rabisco na terra, ou um “mergulho” nos contos de fadas. Afinal, quantas fadas, quantas bruxas, quantas princesas e príncipes alguns têm a oportunidade de ser? &lt;br /&gt;Praticar a imaginação é acessar o simbólico e dele fazer uso, para que, muitas vezes, as crianças possam dar conta de certas experiências vividas num mundo, nem sempre divertido ou fácil de aceitar. &lt;br /&gt;Vamos agora imaginar a vida e o desenvolvimento de crianças que não podem exercer esse "transbordamento" de sentimentos e sensações que a imaginação oferece. Quantas questões, por vezes adversas, se somam e por isso se avolumam ao que essas crianças já têm que dar conta, simplesmente por estarem vivendo em condições tão difíceis e com limites tão indefinidos?&lt;br /&gt;           A maioria dessas crianças que atendemos no projeto,“pulou” essa fase em que a realidade deveria estar sendo saudavelmente tratada pela fantasia. Significa dizer que, dificuldades para lidarem com certas realidades ou até para poderem “falar” delas, poderiam "transbordar" através de ações criativas, caso tivessem acesso durante seu processo de desenvolvimento. &lt;br /&gt;Resgatar essa fase e com ela apresentar recursos de expressão, parece ser nossa principal ação sócio-educacional. Mas na verdade, não é tão simples assim. É preciso pensar seriamente: Para qual realidade trazemos nossas crianças após o resgate?&lt;br /&gt;Lidamos com esse paradoxo. Se por um lado a arte promove o encontro do indivíduo com aspectos essenciais que auxiliam na sua formação como pessoa, por outro, essa mesma aproximação, parece distanciá-lo da realidade de sua vida. Uma vida que se mantém instalada dentro de comunidades promotoras do embrutecimento.&lt;br /&gt;           Nas difíceis passagens do conhecido (no caso de nossas crianças, o meio embrutecido e subumano das favelas) para o desconhecido (a proposta de experimentar o autoconhecimento através da arte), carregam-se “amuletos” (recursos de apoio). Alguns se apegam no silêncio, outros na arrogância. Alguns discursam e se agarram em valores  marginais, como se fossem náufragos. A verdade é que, qualquer indivíduo, quando se sente inseguro, dificilmente chega sozinho em áreas fora do próprio domínio. Há sempre um “amigo” ou um personagem para se apegar, mesmo que seja um bandido.&lt;br /&gt;           A cultura das comunidades que foram colocadas à margem da sociedade reconhecida, para não perderem sua identidade se fazem representar por seus “símbolos”;  expressões, músicas, vestimentas, condutas, quase sempre conflitantes, quando estão presentes em outro meio social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer?&lt;br /&gt;Mais paradoxais se tornariam as ações dos orientadores atuantes no projeto, caso  não fossem consideradas as possibilidades de colaboração dos próprios alunos através da cultura, da estética e conhecimento que lhes é próprio, mesmo que essa cultura pareça estar tão distante da cultura, estética ou conhecimento dos orientadores.&lt;br /&gt;É preciso acolher a cultura que é trazida por essas crianças e jovens do projeto, afinal eles são parte dela e a ela se fundem para se identificarem como pessoas e poderem sobreviver. Sua não aceitação é o mesmo que negar a existência dessas crianças e jovens que atendemos. A não aceitação tenta eliminar as referências construídas por essas crianças e provoca a ruptura ou a não realização dos vínculos tão necessários entre orientador e aluno.&lt;br /&gt;É preciso criar pontos de encontro entre essas duas culturas separadas por esse infeliz “apartheid” que foi criado ao longo de tantos anos e que produziu culturas conflitantes, assim como qualidades educacionais e oportunidades sociais sempre diferenciadas.&lt;br /&gt;Mesmo sendo difícil para alguns orientadores, é fundamental compreender e aceitar os “símbolos” tantas vezes desagradáveis, trazidos por alguns alunos. Só assim é possível ajudá-los, na árdua missão que eles enfrentam quando ultrapassam a fronteira de suas comunidades em direção a valores tão contrários aos que os constituem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-8284064095813094990?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/8284064095813094990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2009/07/imaginacao-e-vulnerabilidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/8284064095813094990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/8284064095813094990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2009/07/imaginacao-e-vulnerabilidade.html' title='IMAGINAÇÃO e VULNERABILIDADE'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-39636858668354900.post-3799480161340855101</id><published>2009-05-13T06:20:00.001-07:00</published><updated>2009-05-13T06:21:42.509-07:00</updated><title type='text'>“A TRANSFORMAÇÃO DAS ARMAS” (na comunidade do Jacarezinho)</title><content type='html'>Pensando nas propriedades transformadoras da arte, acho importante comentar uma experiência vivida em 2007, durante o processo de evolução do projeto social “Eu sou”, quando foi se tornando inviável a continuidade do programa que havíamos criado, em função de um interesse quase unânime pelas armas, nos grupos que atendemos naquele ano.&lt;br /&gt;Ao notarmos que as crianças e jovens vinham produzindo escondido, “armas”de argila , esclarecemos a todos que em se tratando de arte nada era proibido num espaço de criação como o nosso e por isso eles não precisavam esconder esse interesse. No entanto, era importante lembrar, que o que eles vinham fazendo não era exatamente arte, mas tentativas de cópias de armas originais. Não havia na atitude deles, a transformação que caracteriza a arte, assim sendo, preferíamos que eles utilizassem, ou ao menos tentassem, dirigir esse interesse para ações verdadeiramente artísticas. &lt;br /&gt;Em meio ao caos formado de muitas falas emboladas, risos e “denúncias”, nós trouxemos alguns exemplos de quando se faz cópia e quando se faz arte. Em vão; ao contrário do que se esperava, com a liberação estabelecida, o projeto acabou se transformando numa verdadeira “fábrica de armas” de argila.&lt;br /&gt;Confesso que não sei se naturalmente, essa necessidade, essa quase pulsão, cederia com o tempo. Por várias razões, não podíamos “pagar para ver”.&lt;br /&gt;Durante algumas supervisões então, discutimos exaustivamente essa questão, até optarmos pela criação de uma espécie de projeto dentro do projeto, no qual, nosso principal objetivo seria a transformação desse cotidiano de violências, dentro do qual essas crianças estavam inseridas, em ações e produtos que além expressarem esse triste cotidiano, fosse também capaz de indicar possibilidade de mudanças em seus olhares e consequentemente em suas perspectivas de futuro. Criamos então um projeto de dois dias, ao qual demos o nome de “Transformação das armas”. Resumidamente, o programa promove a transformação do que é real em expressão e arte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Transformação das armas”.&lt;br /&gt;Exercícios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Objetivos:&lt;br /&gt;Concretizar e desconstruir o objeto e a palavra: ARMA. (objetivo)&lt;br /&gt;Transformar: NUM LIVRE DESEJO. (subjetivo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumo do processo:&lt;br /&gt;Desconstruir e transformar:&lt;br /&gt;Palavra, forma e função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sensibilização: Estória contada – “Os três lobinhos e o porco mau”&lt;br /&gt;Esta estória foi escolhida devido a inversão, que faz dos lobos as vítimas e o porquinho o algoz. Induzindo assim os participantes a repensar os valores constituídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exercícios preparados:&lt;br /&gt;Para transformação da palavra.&lt;br /&gt;• “Desconstrução da palavra”&lt;br /&gt;Desconstrução das letras que compõem a palavra A R M A, para estudo de novas construções.&lt;br /&gt;Promoção de experiências de inversão que simbolicamente podem promover inversão de pensamentos. &lt;br /&gt;Além da simples desordem para nova ordem, oferecemos possibilidades de criar formas variadas para as quatro letras que poderão ser produzidas pelo processo de:&lt;br /&gt;a- “Letras em argila” . A proposta promove a transferência das letras (A, R M, A) em argila para o gesso, obtendo-se um resultado rebatido e de alto para baixo relevo.&lt;br /&gt;b- “Impressão de texturas” . Técnica simples em que se coloca um papel sobre um elemento texturado qualquer ou com pequeno volume (como recortes de cartolina ou barbante) e com a ajuda de um lápis cera deitado e friccionado sobre o papel, registra-se nele a textura do elemento escolhido. Para isso, pode-se rasgar, recortar cartolinas finas com tesouras ou mesmo com auxilio de estiletes (esses, usados somente pelos orientadores).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•  “Construção poética”&lt;br /&gt;A partir da livre associação, produzir uma seqüência de palavras que são anotadas pelo orientador.&lt;br /&gt;       Exemplo: (essa associação é apenas um exemplo).&lt;br /&gt;       Arma me lembra tiro.&lt;br /&gt;       Tiro me lembra dor.&lt;br /&gt;       Dor me lembra barriga.&lt;br /&gt;       Barriga me lembra neném.&lt;br /&gt;       Neném me lembra começo.&lt;br /&gt;       Começo me lembra vida.&lt;br /&gt;       E assim por diante...&lt;br /&gt;       As palavras em negrito são a “construção poética”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• “O buraco do tiro”&lt;br /&gt;Cada aluno recebe a palavra ARMA impressa com grandes letras que ocupam o maior tamanho de uma folha de papel ofício. Com o uso de uma cartolina preta previamente preparada (furada no centro com um círculo de aproximadamente 6 cm de diâmetro), cada criança desliza o orifício da cartolina recebida, sobre a palavra ARMA, até escolher um conjunto de linhas ou formas (que por não estarem completas, se tornarão abstratas) para a realização de um novo trabalho   (pintura ou desenho) que tenha estas linhas como referência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para transformação da forma e da função.&lt;br /&gt;Proposta 1:&lt;br /&gt;• “A transformação de um objeto”.&lt;br /&gt;1- Construção realista. “A arma como me lembro que é”. (forma representada)&lt;br /&gt;Os alunos são incentivados a produzir em argila “armas” como eles lembram que elas são. &lt;br /&gt;2- Construção imaginária. “A arma que produz o que eu gosto”. (forma e função transformada).&lt;br /&gt;Nesse caso, criar em argila uma nova forma com uma nova função para a arma.&lt;br /&gt;Apresentar o trabalho falando sobre a função criada para ele. Registros filmados e fotografados pelos orientadores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• “Transformação mímica de um objeto” (neste caso, foi escolhido um objeto semelhante à uma arma) (função). &lt;br /&gt;No meio de um circulo formado pelos alunos, é colocado um objeto que poderá ser usado numa pequena cena individual improvisada, na qual o objeto obrigatoriamente perde sua função inicial, para pantomimicamente ganhar outro significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programa, resultados e avaliações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aula 1/ Programa e resultados:&lt;br /&gt;Na primeira aula as propostas foram apresentadas da seguinte maneira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            1- Estória contada – “Os três lobinhos e o porco mau” &lt;br /&gt;2- “A transformação de um objeto” Construção realista. A arma como me lembro que é.&lt;br /&gt;3- Livre associação de sentimentos a partir de uma arma. &lt;br /&gt;4- Transformação mímica de um objeto.&lt;br /&gt;5- Construção imaginária. “A arma que produz o que eu gosto”. &lt;br /&gt;6- Apresentação individual para o grupo sobre as soluções desenvolvidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avaliação:&lt;br /&gt;1- Boa relação com a estória. &lt;br /&gt;2- Participação da maioria, com visível demonstração de surpresa de muitos frente à proposta pouco convencional. Algumas resistências pelo comprometimento religioso de alguns alunos. &lt;br /&gt;Muitos demonstraram um grande apego ao objeto construído (arma), dificultando o momento 5.&lt;br /&gt;3- Grande participação.&lt;br /&gt;4- Participação foi bastante dinâmica, provavelmente por já conhecerem esse exercício, quando então “transformaram” uma flauta nos mais variados objetos. Ao final a ferramenta foi apresentada com sua função original e o gestual correspondente para a sua utilização. &lt;br /&gt;5- Grande dificuldade, frente à idéia de criação de “uma arma diferente” ou a transformação da “arma como me lembro que é”. Helio e um dos professores apresentaram seus medos e possíveis idéias de combate a esses medos, quando então houve razoável participação das crianças.&lt;br /&gt;Helio criou uma “arma para combater a amargura”, aproveitando o papel de uma bala de tamarindo que uma aluna lhe deu, ainda durante a contação da estória. A “bala de argila” enrolada passou a ser então munição da “arma inventada” pelo Helio. Pode ter ajudado.&lt;br /&gt;6- Devido ao constrangimento de alguns e a possível falta de atenção e respeito da “platéia”, os alunos que “transformaram”, foram entrevistados e filmados como se fossem cientistas ou inventores famosos, explicando suas invenções.&lt;br /&gt;   Os filmes e fotos realizados serão mostrados para todos os alunos ao término deste ciclo de exercícios. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aula 2/ Programa e resultados:&lt;br /&gt;1- Com a intenção de criarmos um link com a semana anterior, o livro da estória contada “Os três lobinhos e o porco mau” e a estranha ferramenta de escultura usada para a “transformação de um objeto” ficaram disponíveis sobre a mesa para contato com os que foram chegando. Ao começarem as novas propostas esses materiais foram recolhidos.&lt;br /&gt;2- Esclarecimento a todos do motivo dessas duas semanas dedicadas ao tema “arma”. Algo como:&lt;br /&gt;      A violência, o medo, o que muitos já assistiram e assistem, todas as dificuldade impostas, o que se deixa de fazer por conta dos tiros e que por isso, muitos querem fazer armas no projeto, etc...&lt;br /&gt;      3-  Construção poética a partir da livre associação.&lt;br /&gt;      4-   Desconstrução das letras que compõem a palavra A R M A, para estudo de novas construções.&lt;br /&gt;Criar formas variadas para as quatro letras, que poderão ser produzidas pelo processo de:&lt;br /&gt;a- “Impressão de texturas”. Com cartolina e auxilio de tesouras e estiletes (na mão dos professores).&lt;br /&gt;b- Letras em argila com transferência para o gesso, para se obter o resultado rebatido e em baixo relevo.Pintura das placas realizadas em gesso. &lt;br /&gt;             5- Fotos e filmagem para apresentação aos alunos na semana seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avaliação:&lt;br /&gt;1- Ok manusearam os materiais expostos.&lt;br /&gt;2- Foi bastante importante e de certa maneira ajudou-os a organizarem o assunto internamente além de possibilitar a verbalização de algumas opiniões.&lt;br /&gt;3- Resultou num trabalho muito forte, bonito e de grande mobilização de quase todos.&lt;br /&gt;4- O processo da bi para a tridimensão foi fundamental e claramente complementar. &lt;br /&gt;A qualidade dos produtos criados foi tão boa além de terem proporcionado muito orgulho para muitos foram valorizados de várias maneiras por todos nós.&lt;br /&gt;Na semana seguinte os trabalhos em gesso foram pintados. Os resultados foram apresentados numa pequena mostra semanas mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: Não sentimos necessidade de apresentar o exercício “O buraco do tiro”. O impacto das outras atividades sobre eles já havia sido forte e suficiente para as mudanças positivas que se seguiram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/39636858668354900-3799480161340855101?l=projetosocialeusou.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/feeds/3799480161340855101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2009/05/transformacao-das-armas-na-comunidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/3799480161340855101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/39636858668354900/posts/default/3799480161340855101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://projetosocialeusou.blogspot.com/2009/05/transformacao-das-armas-na-comunidade.html' title='“A TRANSFORMAÇÃO DAS ARMAS” (na comunidade do Jacarezinho)'/><author><name>Helio Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15568766457986755100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hSgcbNSzu3I/Se9yu9Vis3I/AAAAAAAAAAM/PN7-CjVQh2Q/S220/.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
